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A criança e o silêncio



O som é bom. O som que incomoda, que impede de ouvir aquilo que importa é ruído. E Maria Montessori quando falou sobre uma educação silenciosa, tinha o objetivo de eliminar o ruído para que as crianças se desenvolvessem.


Quando a criança nasce, ela é um ser em transição. Poucos consideram sobre a mudança do ventre para o mundo que ela realiza. Assim, a criança sai de um espaço com temperatura agradável e chega a salas barulhentas, com várias pessoas conversando. Para os recém-nascidos, os ruídos ao redor pode influenciar o desenvolvimento emocional, o sono e a saúde.


Quando mais velho, o excesso de barulho pode tornar a criança agitada e hiperativa. Costuma-se achar que a criança é agitada por natureza, mas muitas vezes, o ambiente e o excesso de estímulos a deixa ansiosa. Principalmente, com o uso da tecnologia que pode agravar a situação.



O exercício do silêncio


Montessori ao observar as crianças percebeu a importância do silêncio e criou um exercício que ela mesma conta no livro "A Criança":


"Um dia, ocorreu-me a idéia de aproveitar o silêncio para colocar à prova a acuidade auditiva das crianças. Assim, pensei em chamá-las com voz abafada, de uma certa distância. Quem ouvisse seu nome chamado deveria vir para perto de mim, procurando andar sem fazer barulho. Com quarenta crianças, tal exercício de paciente expectativa implicava um esforço que eu acreditava impossível. Por isso, levei comigo balas e chocolates para recompensar as crianças que se aproximassem de mim. Elas, porém, recusaram os doces. Pareciam dizer: “ Não estrague nossa bela impressão! Ainda estamos no prazer espiritual — não nos tire dele!”


Dessa forma, ela compreendeu que as crianças eram sensíveis não só ao silêncio como também a uma voz que as chamava de maneira quase imperceptível, com calma e doçura. As crianças respondiam ao silêncio com mais silêncio. Andavam devagar, nas pontas dos pés, evitando esbarrar em algo. E assim, aos poucos, a criança internalizava o silêncio e a paz em suas ações. Elas sentiam prazer na perfeição do exercício e, consequentemente, da prática do silêncio.




A criança e a educação silenciosa


O silêncio é belo


O jogo convida a criança a perceber o barulho que existe diariamente, a parar alguns minutos para observar o quanto de ruído existe. Após o jogo, o adulto conversa com a criança sobre o que faz barulho em nós e a entender a beleza do silêncio.


Claro que esse silêncio nada tem a ver com oprimir a criança, impedir que ela se movimente ou se comunique. Esse silêncio é aprendido e conquistado por uma educação do movimento, em que a criança cria percepções novas sobre suas ações, sobre seu equilíbrio e, assim, sobre seu comportamento. Deve haver treino e experiência para que não exista opressão.


A criança antes precisa se sentir livre para movimentar-se para que, assim, queira adentrar no mundo do silêncio por ela mesma. Para que ela, sozinha, sinta a paz que ela quiser sentir.



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